Do sonho à realidade
Encontra-se patente ao publico, até dia 6 de Maio, na Mediateca da Caixa Geral de Depósitos do Luxemburgo, a exposição de pintura “incertezas”, de Sandra Oliveira.
À parte dos desenhos de criança, Sandra Oliveira teve o primeiro contacto com a pintura ao entrar para o ensino preparatório. Nessa altura soube o que queria fazer na vida: "Queria pintar", disse.
“Desde pequenina que eu olhava para tudo o que estava à minha volta, como as nuvens, como as árvores e achava que era fácil desenhar isso. Sempre disse que queria desenhar, que queria fazer desenhos! E no primeiro contacto que tive com as artes visuais, no ensino preparatório (que era o ciclo) que eu disse: ’é isto que eu quero fazer!`”, contou a artista ao CORREIO.
Sandra Oliveira queria ser professora de artes visuais, ensinar crianças para quem as cores fortes são uma forma de comunicar com o mundo.
“Tive sempre o sonho de ser professora de artes visuais mas de crianças. Gostava imenso de trabalhar com crianças e que eles pudessem transpor para o papel histórias coloridas. Dai este meu desejo de pintar com cores bastante fortes e por isso os desenhos e as gravuras terem estas cores tão demarcadas”, explicou.
Porém, nem sempre os “sonhos” prevalecem face às controvérsias da vida e a artista sentiu a ingratidão do futuro na pele. Por não ter tido a possibilidade de seguir uma formação académica na área das artes visuais, Sandra Oliveira concluiu o 13º ano na área do secretariado e trabalha actualmente na companhia Império Bonança, no Luxemburgo.
“Cá estou eu, há 11 anos atrás de uma secretária, de um computador, mas sempre com este sonho”, contou a artista com um ar que vacilava entre o conformismo e a desilusão.
No entanto, foi exactamente no seu local de trabalho que surgiu a oportunidade de organizar a sua primeira exposição graças a um trabalho seu que ali se encontra exposto.
“Surgiu esta oportunidade graças ao grupo Caixa Geral de Depósitos, nomeadamente ao Dr. Nuno Almeida (director da GDD no Luxemburgo) que realmente foi a pessoa que viu uma pintura minha. Gostou e propôs-me realizar a exposição”, conta a artista com um enorme sorriso nos lábios por ver nesta mostra a realização de um "bocadinho”do seu sonho.
“A exposição já é um sonho e está a ser uma experiência muito positiva no sentido que houve pessoas que acreditaram em mim e espero que haja muitas mais que venham a acreditar. Acho que é muito importante, nos dias de hoje, dar a oportunidade às pessoas de realizarem um sonho”, desabafou.
Folha de papel...
Sandra Oliveira gosta especialmente de pintar a pastel. Dos 20 quadros em exposição apenas em 2 não utilizou esta técnica.
Para Sandra Oliveira o papel funciona como um espelho da alma, um reflexo dos seus sentimentos e emoções. Sendo assim, todas as telas em exposição apresentam traços feminis, seja pela presença de flores, seja por se tratarem de auto-retratos, percepções criadas por um imaginário sensitivo e irreflectido.
“Não me permitirei nunca fazer caricaturas de outra pessoa, mas minhas sim. Todas as caricaturas refletem justamente uma parte feminina. São todas personagens femininas e são caricaturas que têm algo meu. A maior parte são nus mas não é um nu que eu queira chocar mas é um nu que sendo a folha de papel a minha confidente eu posso-me colocar a nu com ela”, observou.
A exposição, patente ao público até dia 6 de Março, foi ainda uma oportunidade para Sandra Oliveira recuperar o dinamismo com a arte, uma paixão que andava um pouco descuidada devido à rotina quotidiana.
“Esta oportunidade fez com que eu me reconciliasse com a folha de papel e desse, mais uma vez, asas à minha imaginação. E fico muito contente com isso porque andava um pouco adormecida", confessou.




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