União precisa de se disciplinar para atenuar lacunas económicas de longa data
Depois de no início desta semana os 27 Estados-Membros terem chegado a acordo sobre a criação de um fundo de 750 mil milhões para conceder empréstimos a países do euro em dificuldades para financiar a sua dívida pública, o FMI - Fundo Monetário Internacional - vem aconselhar cautela.
A consolidação orçamental dos países da Zona Euro deve ser feita com “cautela” e de forma “concertada”, garantindo uma recuperação sustentada do défice e da economia, defendeu ontem o FMI.
“Embora as políticas macroeconómicas de apoio sejam necessárias para assegurar uma recuperação auto sustentável, os custos e as intervenções face à crise actual representam uma grande preocupação”, revela o FMI no “Regional Economic Outlook”, que perspetiva a evolução da economia europeia.
Apesar das preocupações serem “mais proeminentes no lado orçamental”, as políticas monetárias e financeiras merecem o olhar atento dos especialistas, segundo os quais “os indicadores de sustentabilidade dão sinais de alerta”.
Pegando no exemplo da Grécia, o FMI acentua a “aguda necessidade de estabilizar e de reduzir a dívida pública”.
No caso da “Irlanda, Portugal e Espanha, que têm fortes medidas orçamentais, com credibilidade, será necessário continuar com os planos existentes para a consolidação” das contas públicas.
O FMI defende que “a necessidade de coordenação é particularmente exigente na Zona Euro”, uma vez “as repercussões políticas são transversais” e envolvem os 27 países que compõem a UE.
“A crise grega é um poderoso exemplo de lacunas de longa data na arquitectura fiscal da União. Colmatar essas lacunas vai exigir um reforço substancial da disciplina fiscal e da introdução de procedimentos para gerir crises”, lê-se no relatório.
“Os défices excederam substancialmente os seus níveis de equilíbrio”, pelo que se tem vindo a verificar uma “regressão” nos 27, nomeadamente ao nível do investimento internacional, do equilíbrio orçamental, das perspectivas de crescimento, da evolução demográfica e da liberalização financeira, diz o FMI.
“Embora a actual crise financeira tenha reforçado a necessidade da redução do défice", este deve permanecer elevado em todos os países da Zona Euro devido “aos países de baixa produtividade e fraca competitividade”, aconselha o FMI.
De acordo com o FMI, se Itália, Portugal e Espanha apresentassem um nível de elevada produtividade (à semelhança da Finlândia e da Holanda), o Produto Interno Bruto (PIB) destes países poderia melhorar entre os 2 e os 2,5 pontos percentuais.
Ainda segundo o relatório, a Zona Euro deverá retomar o crescimento da economia ainda este ano, mesmo que “mais fraco do que o habitual”.
Exportações e medidas de estímulo à economia são, segundo o organismo internacional, o que permitirá acelerar o crescimento na União Europeia.
Lusa/Correio




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