Falta cultura geral aos alunos das classes superiores
Depois da reforma do ensino fundamental e da anunciada reforma da formação profissional é a vez do ensino das classes superiores do secundário e do secundário técnico serem reorganizadas, de acordo com um mercado de trabalho cada vez mais exigente e de universidades que pedem cada vez mais competências aos seus candidatos.
Face a um mundo que muda cada vez mais rápido, é preciso adaptar o nosso sistema de ensino. Adquirir uma larga cultura geral, desenvolver um espírito crítico ou poder trabalhar de maneira autónoma, não são mais que alguns dos elementos necessários para que os jovens sejam melhor preparados ao terminarem os estudos superiores ou ao entrarem no mercado de trabalho", explicou Mady Delvaux-Stehres, ministra da Educação Nacional, na apresentação pública da reforma das classes superiores do ensino secundário (ES) e secundário técnico (EST).
Após um processo de consulta, iniciado em Outubro de 2009, aos directores dos estabelecimentos de ensino das escolas secundárias e secundárias técnicas, o encontro com mais de 25 professores-delegados e trocas de informações com várias associações de estudantes, o Ministério detectou, em relevância, dois pontos fracos do sistema de ensino. São eles: casos de insucesso escolar devido a uma orientação que nem sempre corresponde às competências e interesses dos alunos e uma organização de formações pouco flexíveis que não permitem aos alunos motivados adequirirem excelentes conhecimentos em diversos domínios. Estas situações conduzem muitas vezes a uma falta de cultura geral que impedem muitas vezes os alunos de prosseguirem os estudos superiores da sua preferência.
Também os alunos do EST são muitas vezes impossibilitados de prosseguirem uma formação universitária devido a uma limitada cultura geral. No entanto, este ensino oferece uma especialização aos formandos que lhes permite o acesso directo à via profissional.
Sistema mais flexível
Detectadas as maiores insuficiências do ES e do EST, a reforma das classes superiores pretende manter os pontos fortes do sistema e corrigir os pontos fracos.
Neste sentido, a ministra da Educação anunciou a implementação de um sistema mais flexível e com uma formação geral mais alargada, ao mesmo tempo que se pretendem especializações mais exigentes que permitam aos alunos da escola luxemburguesa adquirir conhecimentos e competências aprofundadas em determinadas matérias.
O documento de orientação elaborado por um grupo de pilotagem estabeleceu seis grandes campos de acção que recaem sobre a preparação para a vida de estudante e vida profissional, sobre a cultura geral, o percurso de especialização, as línguas, a matemática e sobre os exames de fim de curso.
Actuação da reforma
A fim de preparar os alunos tanto para o mercado de trabalho como para os estudos superiores, os alunos deverão ser capazes de se adaptarem a realidades complexas e assumirem os seus conhecimentos. Para desenvolver estas aptidões, todos os alunos do 2° ou do 12° ano deverão elaborar um projecto de envergadura em que conjuguem diversas matérias. Este projecto é determinante para a transição para o 1°/13° ano, por isso, o projecto será enquadrado por um orientador e será concluído com uma defesa oral diante de um júri.
No que respeita à cultura geral, essa será dependente da criação coerente de programas e do trabalho conjunto dos professores. No entanto, a aquisição da cultura geral sai dos portões da escola, por isso, o currículo do aluno deve ser valorizado com um portofólio que revele as competências extra-curriculares do jovem, como sejam: participação em actividades culturais, participação cívica, etc.
O ensino das línguas no ES e no EST continuará a ser exigente mas, de acordo com o documento elaborado, deverá ser evitado que estas sejam motivo de reprovação. O inglês ocupará um lugar de destaque visto a sua grande importância no meio académico e profissional. O inglês será, por isso, língua obrigatória tanto no ES como no EST.
Por último, o diploma de fim de estudos secundários ou secundários técnicos será passado após o exame de fim de estudos que ira constar de seis provas escritas e de duas provas orais. Estes exames serão, no entanto, mais flexíveis em termos de matérias uma vez que os alunos terão a possibilidade de seleccionar temas em função da especialização.




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