"Ajudar o Luxemburgo a ajudar os portugueses"
Um terço dos desempregados inscritos na Administração do emprego (Adem) são portugueses. Uma realidade que o Luxemburgo quer ver resolvida com a ajuda do estado português.
A ministra do Trabalho e da Segurança Social portuguesa, Helena André, esteve no Luxemburgo para discutir com alguns elementos do executivo o problema do desemprego entre os portugueses aqui emigrados.
A questão é saber "como ajudar o Luxemburgo a ajudar os portugueses?", observou a ministra.
Helena André encontrou-se na terça-feira de manhã com o seu homólogo, Nicolas Schmit, para uma reunião de trabalho onde discutiram os acordos bilaterais entre os dois países.
A reunião entre os ministros surgiu na sequência de um interior encontro entre ambos e Mars Di Bartolomeo, em Barcelona, em Janeiro deste ano, realizada à margem do Conselho informal de ministros do Emprego e da segurança Social.
Durante a conferência de imprensa, os dois executivos salientaram as boas e intensas relações que mantêm, particularmente em matéria europeia. "Discutem-se mais as questões europeias que as bi-laterais", observou Helena André, salientando a necessidade de ser estabelecida uma maior cooperação entre os dois países devido aos muitos portugueses aqui residentes.
Nicolas Schmit deu conta da "importância dos portugueses no Luxemburgo" mas "de vez em quando aparecem problemas", afirmou, referindo-se directamente ao crescente aumento do desemprego na comunidade.
"Uma parte dos portugueses são particularmente atingidos pelo desemprego", observou o ministro revelando que constituem um terço dos desempregados.
No entanto, o homólogo de Helen André confessou que não dispõe de números que lhe permitam traçar o perfil destes desempregados, apenas sabe que "60% dos desempregados vindo do sector da construção são portugueses".
Segundo a ministra, muitos dos trabalhadores portugueses no Grão-Ducado são pessoas que dispõem de pouca escolaridade e que, por isso não têm um diploma que comprove o seu "savoir-faire". Mas, através de uma discussão "franca e aberta", como referiu, os ministros detectaram um outro problema que há muito é mencionada pela OGBL: o problema linguístico.
Parte dos portugueses não sabem francês e nesses termos é-lhes difícil prosseguirem uma qualquer formação que lhes atribua um diploma. O ministro aceita que sejam realizadas formações profissionais em regime bilingue mas diz que faltam manuais escolares em português. "Não diria que as formações se realizassem em português, mas talvez nas duas línguas", formulou.
Para além do problema que se coloca aos portugueses adultos, Helena André considerou que as crianças em idade escolar "são as primeiras vítimas" porque deixam a escola portuguesa e integram uma escola estrangeira, numa língua estrangeira e com programas escolares diferentes. "Temos de ajudar esses jovens a adquirir formação profissional", disse.
Os ministros anunciaram ainda a criação de um grupo de trabalho que se reunirá pela primeira vez em Setembro.
Helena André encontrou-se ainda com a ministra da Educação Nacional e da Formação Profissionl, Mady Delvaux-Stheres, e com uma delegação da OGBL.
Conduzida por Jean-Claude Reding, presidente da OGBL, a delegação sindical revelou, em comunicado, terem sido abordados assuntos "referentes à formação dos trabalhadores portugueses no Luxemburgo e as possibilidades de cooperação reforçadas entre Luxemburgo e Portugal neste domínio".
As partes trataram ainda questões relativas à segurança social nomeadamente à "indemnité d'attente" que não sendo reconhecida pelo regime da Segurança Social português, coloca certos portugueses em situação de precaridade.




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