Arquitectos de interiores já se podem inscrever na Ordem
A Ordem dos Arquitectos e Engenheiro (OAI) decidiu passar a aceitar no seu seio os arquitectos de interiores. Trata-se de uma pequena revolução. Desta forma, a profissão ganha amplitude e respeitabilidade.
“A abertura da OAI permite uma visibilidade melhor e valoriza a profissão”, afirma Bob Strotz, presidente da Ordem. A regulamentação prevê que, a partir de agora, apenas podem ostentar o título de arquitecto de interiores e exercer esta profissão as pessoas inscritas na OAI. Para ser aceite é preciso um diploma reconhecido pelo Estado, ser independente e ter uma autorização de estabelecimento.
Explicando a razão por que só agora chega o reconhecimento de profissão de arquitectos de interiores por parte da Ordem, o presidente da OAI afirma que “era necessário primeiro que o legislador definisse as condições do exercício da profissão e o nível mínimo de qualificações necessárias”.
Muitos anos de luta
Na verdade, os arquitectos de interiores percorreram um longo caminho até aqui. Foram muitos anos de luta contra a Ordem e a resistência dos arquitectos em aceitar os seus pares especialistas em espaços interiores. Um caso chegou mesmo a tribunal, quando um arquitecto de interiores recorreu à Justiça em 2002 argumentando que a recusa da sua inscrição na Ordem visava proteger os arquitectos de uma potencial concorrência.
Arquitectos e arquitectos de interiores vão trabalhar lado a lado
A partir de agora, o machado de guerra está enterrado e as duas profissões podem trabalhar em conjunto. E os arquitectos de interiores têm de submeter a sua actividade ao código deontológico que rege a profissão. Um dos pontos deste código diz que a profissão “é incompatível com toda a actividade comercial e com a profissão de empresário da construção civil”.
Mas, então, em que consiste o trabalho de um arquitecto de interiores? Para começar é preciso não meter no mesmo saco os arquitectos de interiores e os decoradores, que não têm de ter formação universitária e trabalham muitas vezes ao serviço de fabricantes e industriais, longe, portanto, da independência necessária.
A tarefa dos arquitectos de interiores “consiste em criar e compor espaços interiores, estabelecer os planos, efectuar a síntese e a análise das actividades que fazem parte da obra”, escreve-se no descritivo da Ordem. Ou seja, a planificação, a execução e o acompanhamento das obras no interior são da competência dos arquitectos de interiores.
NC




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