Deputado incomodado com inquéritos realizados em francês, alemão e português mas não em luxemburguês
O Ministério da Educação realizou um estudo relativo ao ensino fundamental. Os inquéritos foram elaborados em língua francesa, alemã e portuguesa. O deputado do ADR, Fernand Kartheiser, mostrou-se incomodado com a exclusão do luxemburguês e interrogou Mady Delvaux-Stehres.
Fernand Kartheiser quis saber porque é que os questionários destinados a recolher impressões de professores e alunos sobre a reforma do ensino primário não foram também realizados em luxemburguês. "Como a língua luxemburguesa é a única língua nacional do país e, em conjunto com o francês e o alemão, uma das três línguas administrativas do país, podemo-nos admirar com esta escolha, ainda para mais o português não dispõe de um estatuto oficial no Luxemburgo", constatou o deputado alegando um favorecimento dos estrangeiros relativamente aos nacionais. "Encontramo-nos assim numa situação em que os residentes não-luxemburgueses são favorecidos relativamente aos luxemburgueses pelo facto de eles poderem responder na sua língua materna a um questionário estabelecido sobre a responsabilidade governamental".
"O luxemburguês é a língua nacional dos luxemburgueses e não a língua do Grão-Ducado do Luxemburgo"
Em resposta, a ministra da Educação Nacional explicou que, de acordo com as disposições da lei de 24 de Fevereiro de 1984, sobre o regime das língua, "o luxemburguês é a língua nacional dos luxemburgueses e não a do Grão-Ducado do Luxemburgo".
De acordo com a Mady Delvaux, as comunicações escritas aos alunos e ao pessoal das escolas é feita em francês, por vezes com traduções em alemão. "O luxemburguês não é utilizado como língua escrita visto que tal não corresponde aos hábitos do país", constatou ainda a ministra.
Desta forma, esclareceu que lhe pareceu adequado elaborar os questionários nas línguas mais utilizadas em casa pelos alunos e, segundo as estatísticas do Ministério, a língua mais falada é o luxemburguês (46%), seguida do português (27%) e do francês (11%).
Mady Delvaux-Sterhes informou ainda os deputados sobre os custos da tradução. A redacção dos questionários em português não implicou custos adicionais uma vez que no Ministério trabalham diversos colaboradores portugueses ou de origem portuguesa. A análise das respostas foi realizada pelos mediadores interculturais que foram pagos à hora, tendo resultado num custo de 691,95 euros.




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