Arcebispo quer desenvolver o respeito pela dignidade humana
Jean-Claude Hollerich, arcebispo do Luxemburgo há pouco mais de três meses, defende o diálogo e uma sociedade assente no respeito pela dignidade humana. Ideais para os quais pediu a ajuda da comunidade portuguesa, de acordo com a mensagem de Ano Novo que dirigiu aos portugueses.
Jean-Claude Hollerich, arcebispo do Grão-Ducado do Luxemburgo desde 16 de outubro de 2011, declarou em entrevista ao "Le Quotidien" que "todos os dias aprende" e que as suas "opiniões mudam" desde que chegou aqui, "à medida que melhor conheço a situação", revelou.
Desde o ano de 1994 que o arcebipo residia no Japão, onde era professor universitário na "Sophia University de Tokyo".
Ausente do Luxemburgo há mais de década e meia, o atual responsável pela arquidiocese do Grão-Ducado diz que não chegou ao Luxemburgo com ideias "preconcebidas", nem para colocar em prática um "programa". "Não vim com ideias preconcebidas para desenvolver um programa", esclareceu.
O arcebispo defende ainda o diálogo interreligioso como base da construção do mundo: "Não consigo imaginar a construção do mundo de outra forma que não seja pelo diálogo entre as forças". Uma capacidade com a qual se encontra familiarizado devido à minoria católica existente no Japão e onde "não há outra possibilidade para além do diálogo para se fazer ouvir".
Com base nos princípios da sociedade japonesa, Jean-Claude Hollerich "gostaria principalmente que a sociedade respeitasse a dignidade humana". Um princípio igualmente transmitido na mensagem de Ano Novo dirigida à comunidade portuguesa.
"Peço humildemente a vossa ajuda para anunciar o Evangelho no Luxemburgo. Peço a vossa ajuda para que portugueses e luxemburgueses possam construir aqui um mundo mais justo, onde todos os seres humanos sejam respeitados", pediu o arcebispo.
Na sua breve mas intensa mensagem, o arcebispo valorizou os portugueses que, por escolha própria e à procura de uma vida melhor, vieram para o Grão-Ducado, "tal como sóis, portadores da vossa história, do vosso espírito de cidadãos do mundo, navegadores e missionários, cujos vestígios encontrei no Japão, tal como as vossas convições cristãs, reforçadas pela vossa especial devoção à Virgem Maria, vossa padroeira e mãe, tal como nossa".
Jean-Claude Hollerich, acrescenta ainda: "Vocês estão contentes por estarem aqui, e nós, por vos termos entre nós". Uma presença "portadora de enriquecimento recíproco", salienta.
Na mesma mensagem, o Títular agradeceu ainda o refúgio que Portugal concedeu à família Grão-Ducal durante a Segunda Guerra Mundial, e recordou o povo luso pelos seus feitos de "grandes navegadores" protagonistas de "grandes descobertas".
"Vós sois os sucessores destes pioneiros da mundialização que se tornaram agentes da globalização na nossa época"destacou.
O arcebispo terminou a sua mensagem com um "Obrigado" à presença da comunidade portuguesa no Luxemburgo.




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