Reclusos portugueses receberam a visita do C.A.S.A
Pelo quarto ano consecutivo, o C.A.S.A. - Centro de Apoio Social e Associativo - organizou um encontro-convívio com os reclusos portugueses da prisão de Schrassig.
Durante aproximadamente duas horas, os portugueses detidos na prisão de Schrassig puderam "relembrar" alguma da cultura portuguesa.
Na quarta-feira da passada semana, o C.A.S.A. organizou o 4° encontro-convívio com os reclusos de Schrassig, levando até àquele estabelecimento prisional animação e gastronomia portuguesa. Os reclusos conviveram, comeram e aproveitarem a animação oferecida pelos 15 elementos do rancho folclórico Estrelas do Minho.
Droga "mete" portugueses na prisão
No convívio participaram cerca de duas dezenas e meia de reclusos, apenas uma parte dos portugueses que ali se encontram a cumprir pena.
De acordo com os dados divulgados pela Comissão Jurídica da Câmara dos Deputados, em Março deste ano, eram 112 os elementos da comunidade lusa que ali se encontravam em regime fechado. Muitos destes portugueses foram condenados ou aguardam julgamento por crimes ligados ao tráfico de estupefacientes ou ao consumo. Por entre os reclusos participantes no encontro, esta era a resposta mais comum quando perguntávamos o porquê de ali estarem. "Por droga", respondiam.
Mas se esta categoria de crime é comum à grande maioria, a sentença, por outro lado, varia. Enquanto um dos reclusos reclamava ter sido condenado a sete anos de prisão, outro afirmava ter tido muita sorte por só ter sido condenado a três meses. "Tive muita sorte", repetia.
Um terceiro lamentava ter perdido a família por se ter metido no tráfico de estupefacientes, mas, se fosse honesto "nem uma casa tinha comprado, quanto mais três!", justificava enquanto mordiscava um salgadinho.
Um quarto recluso, de 46 anos, condenado a dois anos e meio de prisão, promete não se voltar a "meter em drogas". "Tenho um filho que está no último ano da universidade, Vai ser advogado!", contava orgulhoso, dizendo ainda que é um jovem com um comportamento exemplar.
Porém, um rapaz ainda com cara de "miúdo" disse: "fui condenado à vida!". Porquê? "Fui acusado de ter morto o meu vizinho. O meu amigo mentiu em julgamento", explicava, com alguma timidez. O jovem, agora com 23 anos foi acusado de homicídio voluntário, recorreu e voltou a ser condenado, mas não desiste. "Vou recorrer em Estrasburgo. Já mudei de advogado", detalhou. O crime remonta ao ano de 2005, quando ele tinha dezoito anos.
"Graças à colaboração das entidades luxemburguesas"
José Trindade, presidente do C.A.S.A., deixou algumas palavras aos reclusos. "Não viemos aqui para vos pôr em liberdade, nem para vos condenar, estamos simplesmente aqui porque vos compreendemos", esclareceu o presidente.
José Trindade lembrou ainda que o encontro-convívio só é possível graças à "boa colaboração" das entidades luxemburguesas e que estas actividades apenas se realizam "por pensar no vossa melhoria (de atitude)", observou.
Reforçando o agradecimento às entidades prisionais pela colaboração prestada nestas acções de solidariedade, José Trindade conta também com este apoio para conseguir expandir estas acções a outras comunidades.




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